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- Estratégias Educacionais e de Persuasão Estas estratégias estão entre as mais populares abordagens
de prevenção de problemas relacionados ao consumo de álcool.
No entanto, diferem das abordagens anteriores devido à falta
de efetividade. Além da baixa efetividade, são abordagens em
geral muito caras, tornando seu custo-benefício extremamente
desvantajoso quando comparado às outras abordagens descritas
aqui4. Geralmente possuem os seguintes objetivos: Embora possua um forte apelo popular, a propaganda
educativa nunca é tão bem produzida, nem possui os mesmos
recursos, nem a mesma freqüência nos meios de comunicação do
que a propaganda da indústria do álcool. Pesa ainda a favor
desta ser muito mais sedutora e persuasiva do que qualquer
contra-propaganda conseguiria ser. Que mensagem contrária ao
consumo do álcool poderia ter tanto apelo quanto a propaganda
de cerveja protagonizada por um dos maiores ídolos do futebol
em nosso país? Como contrabalançar o efeito de mensagens
publicitárias da indústria do álcool protagonizadas por
grandes nomes da TV, da MPB, ou dos esportes? Difícil. Mesmo
que houvesse recursos para a produção de uma contra-propaganda
à altura da publicidade da indústria, seu custo seria tão
elevado que deixaria de ser compensador. Quando apresenta
alguma efetividade, é como parte integrante de um conjunto
mais amplo de políticas. Algo importante de se afirmar,
proibir a publicidade do álcool custa bem menos e é bem mais
eficaz que qualquer medida de contra-propaganda4. O uso de advertências nos rótulos, embora apresente um
significativo recall (pesquisas de recall avaliam com que
facilidade algo é evocado ou recordado pelo entrevistado) nas
pesquisas, não é eficaz em mudar comportamentos relacionados
ao consumo de álcool, e tampouco é efetivo em prevenir o
consumo entre bebedores pesados. Alguns estudos mostraram que
adolescentes de 17 anos de idade relatavam conhecimento dos
rótulos de advertência nos EUA, embora esse conhecimento não
resultasse em mudanças nas crenças acerca do consumo de
álcool. É provável que o impacto das advertências nos rótulos
das bebidas alcoólicas possa ser incrementado combinando tal
estratégia com outras mudanças na política do álcool4. Após pesquisas epidemiológicas sobre o efeito do consumo
moderado de álcool sobre problemas cardiovasculares, a
indústria lançou mão de uma estratégia onde provê o público
com material promocional e informativo sobre os benefícios do
uso moderado do álcool. Os efeitos dessa estratégia ainda não
são conclusivos, no que diz respeito à possibilidade desse
tipo de mensagem diminuir ou mesmo aumentar o consumo de
álcool4. O objetivo dos programas escolares é modificar as crenças,
atitudes e comportamentos dos adolescentes em relação ao
álcool. Embora aumentem o conhecimento, não modificam o
consumo; além disso, fornecer informação sobre os perigos de
diferentes substâncias psicoativas pode despertar a
curiosidade e estimular o consumo entre aqueles que são
buscadores de estímulos. Abordagens afetivas direcionadas à
clarificação de valores, auto-estima, habilidades sociais e
abordagens “alternativas” que provêem atividades sem relação
com álcool (como esportes) são igualmente ineficazes em
alcançar o objetivo proposto4. Programas de influência social
visam a aumentar as habilidades de resistir à pressão social
relacionada ao consumo do álcool; mas recentemente se
descobriu que o uso de álcool por adolescentes deve-se menos a
formas de pressão direta do que a influências sociais bem mais
sutis; também foi sugerido que tal abordagem (treinamento em
habilidades para resistir à pressão social) pode ser
contraproducente, na medida em que leva o adolescente a
concluir que o uso de álcool é bastante prevalente e aprovado
pelos seus colegas. Estabeleceram-se então programas de
educação normativa visando a corrigir a tendência do
adolescente de superestimar o número de seus colegas que bebem
e que aprovam o uso de álcool4. Muitos programas escolares atuais combinam o treinamento de
resistência à pressão com a educação normativa; os resultados
ainda são ambíguos. Quando positivos, os resultados produzidos
têm curta duração, a não ser que sejam reforçados
periodicamente; alguns subgrupos de adolescentes tendem a ser
mais responsivos que outros. Por exemplo, jovens com pouca
experiência no comportamento de beber mostram-se mais
responsivos aos programas de influência social. Já os
programas de educação normativa apresentam melhores resultados
em jovens com comportamento rebelde. Programas escolares mais
abrangentes, que incluem abordagem educacional tanto
individual quanto familiar ou comunitária – alguns programas
avaliados chegaram a incluir educação parental, treinamento de
lideres comunitários e os meios de comunicação de massa –
apresentaram algum resultado, porém logo dissipado assim que o
programa acabou4. A literatura especializada21,22 recomenda
algumas orientações gerais para o desenvolvimento de programas
preventivos escolares: Os fatos apresentados nos permitem as seguintes conclusões
a respeito das abordagens baseadas na escola: |