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- O álcool não é um produto qualquerA despeito de todos os significados culturais e simbólicos
que o consumo de bebidas alcoólicas adquiriu ao longo da
história humana, o álcool não é um produto qualquer. É uma
substância capaz de causar danos através de três mecanismos
distintos: toxicidade direta e indireta sobre diversos órgãos
e sistemas corporais, intoxicação aguda, e dependência. Tais
danos podem ser agudos ou crônicos, e dependem do padrão de
consumo de cada pessoa, que se caracteriza não somente pela
freqüência com que se bebe e pela quantidade por episódio, mas
também pelo tempo entre um episódio e outro, e ainda pelo
contexto em que se bebe. Com relação aos efeitos tóxicos do álcool, é importante
salientar que alguns de seus efeitos danosos à saúde podem
resultar de um episódio único de consumo excessivo, mesmo que
a pessoa não beba com freqüência. Com relação à dependência do
álcool, é interessante notar que a dependência pode perpetuar
um consumo pesado, e o consumo pesado contribui para o
desenvolvimento da dependência. Além disso, estudos de
prevalência revelam que formas menos graves de dependência são
amplamente distribuídas na população geral e estão associadas
a um nível crescente de problemas. Agora, com relação à
intoxicação pelo álcool, estudos recentes mostram que existe
uma relação direta entre a intoxicação ocasional e problemas
como violência, mortes no trânsito, e outros danos. Embora
exista uma tendência popular de se enxergar todos os problemas
relacionados ao consumo de álcool como alcoolismo, estudos
mostram que há todo um universo de problemas causados pelo
álcool que está além das fronteiras do alcoolismo5: a maior
causa de problemas relacionados ao álcool na população geral
é, na verdade, a intoxicação pelo álcool. As principais
conclusões desses estudos são: 1. Beber ocasionalmente, mas a ponto de
ficar intoxicado é muito comum. A intoxicação, mesmo quando
ocorre com pouca freqüência, pode provocar danos sociais e
físicos consideráveis. Na verdade, o risco de problemas
decorrentes de um único episódio de intoxicação é mais alto
entre aqueles que o fazem infreqüentemente do que entre
aqueles que bebem com mais
freqüência6,7. As políticas públicas para o álcool devem considerar essa
complexidade e devem corresponder ao entendimento de que o
álcool está longe de ser um produto qualquer. |