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Pesquisa recente da SENAD mostra resultados sombrios sobre o uso de drogas no país. E mais: o número de alcoolistas aumentou

BOLETIM ACCA N.87
02/03/07

• Retrato do alcoolismo
Fonte: Ambiente Brasil/PR - 26/02/2007

O número subiu mais de 1% em relação à pesquisa anterior, de 2001

No Brasil, 12,3% das pessoas com idades entre 12 e 65 anos são dependentes de álcool, de acordo com a última pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) sobre uso de drogas no país, feita em 2005. O número subiu mais de 1% em relação à pesquisa anterior, de 2001. A produção de bebidas alcoólicas se expande a cada ano e tudo indica que o consumo cresce em toda a América Latina.

Embora os dados indiquem um grave problema epidemiológico e a necessidade de providências urgentes, pesquisadores destacam a inexistência de informação científica suficiente para direcionar políticas públicas no setor. Por isso, um grupo liderado pelo médico Arthur Guerra de Andrade, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), decidiu desenvolver uma ampla pesquisa sobre os padrões de consumo de álcool nos países latino-americanos.

“Tudo o que temos são dados fragmentários, colhidos por metodologias diferentes, que não fornecem uma fotografia objetiva sobre o consumo de álcool na América Latina. Queremos saber o quanto se bebe em cada região. Mas também precisamos saber quem são os consumidores, qual o contexto social do consumo, quais são as bebidas e quais são os impactos sociais, por exemplo”, disse Andrade à Agência FAPESP.

Andrade pretende angariar fundos para a pesquisa por meio do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização não governamental da qual é presidente. “Para termos uma amostra razoável, com dados confiáveis, projetamos fazer o levantamento, baseado em entrevistas, em 45 localidades de 33 países”, disse. Em uma avaliação preliminar, os pesquisadores calcularam que a pesquisa custaria mais de US$ 3,5 milhões.

Jim Anthony, professor do Departamento de Epidemiologia da Escola de Medicina da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, um dos principais especialistas do mundo em álcool e drogas, foi convidado para participar do estudo. Anthony veio ao Brasil em fevereiro para discutir o projeto, a convite do Cisa. “Pretendemos ter os dados disponíveis a curto prazo, o que significa de dois a três anos, em termos epidemiológicos”, disse Andrade.

Padrões e diferenças regionais

De acordo com Arthur Guerra de Andrade, é praticamente impossível fazer uma avaliação objetiva sobre o consumo de álcool sem um painel de informações de grandes dimensões.
“O álcool é uma droga especial, porque é legalizada e de grande abrangência. O mundo lida com ele de uma forma confusa. Há grandes interesses comerciais envolvidos e, sem dados científicos, cada um tende a fazer as análises de acordo com seus interesses”, disse.

Segundo o professor da USP, com a falta de dados específicos para cada região, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata o consumo de álcool de maneira uniforme. “É como se houvesse um padrão único de consumo. Mas suspeitamos que o consumo de cerveja e cachaça, por exemplo, seja muito diferente. E que os impactos de cada bebida variem com o padrão de consumo em cada região. Mas não podemos fazer inferências românticas. Políticas públicas se fazem com dados científicos sólidos”, disse.

O pesquisador afirma que a América Latina precisa ser vista com atenção, uma vez que conta com um crescimento importante no consumo de álcool, mas não sabe se há um só padrão de consumo no continente.

“Desconfio que vamos encontrar padrões regionais do uso de substâncias alcoólicas, provavelmente não limitados à demarcação política dos territórios. No Brasil, deverá haver diferença entre padrões regionais”, disse.

• Vício
Fonte: Jornal Estado de Minas/MG - 25/02/2007

Cebrid divulga aumento no número de dependentes em todas as faixas etárias

Divulgado no fim do mês passado, o “2º Levantamento domiciliar sobre uso de drogas psicotrópicas no Brasil”, do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), revela que, entre 2001 e 2005, o número de jovens dependentes entre 18 e 24 anos subiu de 23,7% para 27,4%. O número de adolescentes entre 12 e 17 anos envolvidos com álcool passou de 5,2% para 7% no período. O vício é geral e quando eliminado o corte por faixa etária, considerando os 7.939 entrevistados de 12 a 65 anos, 22,8% usaram drogas – exceto álcool e tabaco – pelo menos uma vez. Em 2001 eram 15,4%. O consumo de maconha subiu de 6,9% para 8,8%, de cocaína de 2,3% para 2,9% e de estimulantes de 1,5% para 3,2% no intervalo de quatro anos.

• Perigo do alcoolismo entre crianças e adolescentes começa dentro de casa, diz especialista
Fonte: Olhar Direto/MT - 20/02/2007

O Brasil é o terceiro país da América Latina com maior número de alunos de ensino médio que consomem álcool

O perigo de envolvimento de crianças e adolescentes com bebidas alcoólicas começa dentro de casa. A afirmação é do coordenador do Ambulatório de Psicologia da Prefeitura Municipal de Ribeiro Preto (SP), José Henrique Rios. De acordo com Rios, o Brasil é o terceiro país da América Latina com maior número de alunos de ensino médio que consomem álcool.
 
O exemplo que se tem dentro de casa funciona como parâmetro que acaba sendo reproduzido e visto (pela criança e pelo adolescente) como padrão aceitável. Lá fora (nos ambientes públicos), a bebida já é aceita. Se, em casa, isso também ocorrer, é um passo para que esse jovem se torne dependente”, disse Rios, em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional.

Segundo ele, alguns pais chegam a dar cachaça às crianças para que durmam melhor, fiquem calmas, relaxadas, o que lhes permite assistir à televisão sossegados. Rios afirmou que os perigos do álcool vão além da perda de coordenação, que pode levar à ocorrência de acidentes. Para ele, os efeitos mais danosos são os desvios de conduta e de personalidade que o álcool provoca.

A dependência provoca alterações psíquicas que podem resultar no desenvolvimento de duas personalidades em uma pessoa. Por exemplo, uma natural, introvertida, tímida e insegura, que, sob o efeito do álcool, se torna extrovertida, comunicativa”, disse ele.

Rios explicou que a diferença entre quem bebe socialmente e o dependente químico é que o primeiro consome a bebida por prazer, por gostar, enquanto o segundo busca os efeitos que a bebida causa, o mais rapidamente possível. O problema é que, com o passar do tempo, o organismo precisa de maiores quantidades de álcool para obter os mesmos efeitos.

Além do "mau exemplo" que pode vir do ambiente familiar, Rios lembrou o impulso natural dos jovens de experimentar coisas novas e fazer coisas proibidas, aliado ao fácil acesso que eles têm ao álcool, como drogas socialmente aceita. Na opinião do especialista, esses também são fatores que podem levar crianças e adolescentes ao consumo de bebidas alcoólicas.

• Bebida afeta o prazer
Fonte: Diário Web/SP - 19/02/2007

Todo processo de iniciação e aprendizado sexual, assim como todo tipo de aprendizado, pode ser afetado pelo excesso de álcool e levar a grandes danos irreversíveis

Ser jovem, para muitos, é um período associado ao mito da imortalidade. Há adolescentes que vivem como se estivessem acima do bem e do mal e, por isto, muitas vezes não se contêm diante da oferta exagerada de apelos para o consumo de álcool. Com isto, eles exacerbam ao tomar bebidas alcoólicas diversas durante as saídas para se divertir nas baladas. Devido à imaturidade natural a este período, somada à falta de orientações, raramente se preocupam com as conseqüências que o consumo exagerado pode causar. Prova disso são os números cada dia mais elevados de vítimas fatais no trânsito, e de ocorrências policiais envolvendo abuso sexual e outros problemas relativos à falta de consciência para compreender o que determinadas situações, que poderiam ter sido evitadas, podem causar a si próprio, ou ainda àqueles que amam. Dentre as conseqüências da ingestão de bebida alcoólica elevada, está a promiscuidade sexual, entre outros.

Para a psiquiatra Camila Magalhães, de São Paulo, todo processo de iniciação e aprendizado sexual, assim como todo tipo de aprendizado, pode ser afetado pelo excesso de álcool e levar a grandes danos irreversíveis. “As incertezas e inseguranças emocionais não conseguem ser superadas ou removidas pelo uso do álcool ou de qualquer outra droga que interfira no bem-estar psico-afetivo”, afirma. Segundo a psiquiatra, especialista no tratamento de alcoolistas, muitas vezes, o aprendizado mal feito e as frustrações decorrentes do efeito do álcool sobre a sexualidade podem ser o início de um itinerário cheio de ciladas na vida sexual futura. “A relação entre álcool e sexualidade é mencionada nas diversas culturas, incluindo sua interferência no desempenho sexual dos indivíduos, na ocorrência de abuso sexual e na incidência de doenças sexualmente transmissíveis - DST”s”, lembra.

Quem concorda com a psiquiatra é outra profissional que atua no combate ao consumo exagerado de álcool por adolescentes, a psicóloga Neliana Figlie, professora e coordenadora do ambulatório de álcool da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) do Departamento de Psiquiatria da Unversidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela observa que os jovens no dia-a-dia não estão atentos ao fato do álcool ser um depressor do sistema nervoso central e que portanto além de causar impotência, tem sido apontado como a principal causa de violência sexual contra mulheres. “As garotas, por serem mais suscetíveis aos efeitos do álcool, ficam embriagadas mais rápidamente e é por isto que muitas, quando se dão conta, foram estupradas enquanto estavam em grupos, nas baladas”, diz.

A psicóloga afirma que aprender a beber com segurança é a única forma de evitar que eles continuem a aparecer nas estatísticas cada dia mais envolvidos em acidentes de automóveis, que quando não os matam, aleijam. Isto quando não atropelam pessoas indefesas. O jovem está bebendo cada dia com menos idade, observa a psicóloga que já atende crianças com 10, 12 anos, de ambos os sexo. O mais grave disto é que ao se envolver com as bebidas alcóolicas, o jovem nem sempre faz o uso moderado ou seguro, mas sim nocivo, aquele que o leva a afetar a integridade física, social e moral. E dependendo da regularidade com que faz uso da bebida de forma abusiva, quando chega aos hospitais já está em estado deplorável. Alguns já estão com certos órgãos como o fígado, o pâncreas e os rins comprometidos, pois segundo a psicóloga, não raro, já existem jovens com idades entre 20 e 22 anos vítimas da dependência do álcool.
E isto tudo começa lá pelos 14, 15 anos, quando os adolescentes recorrem ao uso da bebida alcoólica como estimulante para se sentir integrados na sociedade. Daí porque a bebida, de acordo com os profissionais de saúde, é considerada um fenômeno biopsicossocial. De acordo com o psiquiatra rio-pretense Cassiano Lara de Souza, do ambulatório de álcool do Hospital de Base, a bebida é seguida de diversos fatores, por isto é importante o atendimento de profissionais de várias áreas. As pessoas tanto bebem por fatores genéticos predisponentes, quanto por se achar incapazes de lidar com as situações, seja por timidez ou inabilidade, baixa auto-estima, entre outros, sentimentos que não os deixam à vontade para interagir socialmente, Além disso, o próprio ambiente em que ele convive pode ser o motivador para o consumo da bebida. Seja pelo pai, ou mãe, parentes e amigos que os incitam até que quando se apercebem já é tarde para deixar o vício.

O médico observa que atualmente o trabalho dos profissionais tem sido no sentido de orientar as pessoas a fazerem o consumo seguro do álcool, para que isto não interfira na sua vida pessoal. “Se a pessoa não ultrapassar o consumo de no máximo 3 latas de cerveja, ou uma dose (50 ml) de bebidas destiladas, por ocasião, certamente terá menos problemas. Ou seja, para beber é preciso responsabilidade”, diz. Não adianta nada ficar sem beber a semana toda e tomar tudo de uma vez, no final de semana. O risco do cérebro entrar em colapso é imenso, já que o excesso faz com que novos neurônios deixem de ser produzidos e potencializa o neurotransmissor gaba, que inibe as conexões cerebrais e pode gerar apagões. Nesse momento todos os riscos se tornam reais, tanto para o organismo quanto para o físico.

Falta de leis enérgicas estimula o consumo

No dia-a-dia dos serviços de atendimento a alcoolistas em Rio Preto, os profissionais de saúde têm visto aumentar, e muito, os casos de transtornos de conduta, violência doméstica, acidentes de trânsito, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis, violência sexual, em todas as classes sociais e isto sem falar no aumento de jovens mortos. E tudo em virtude do uso excessivo de bebidas alcoólicas. Segundo o psiquiatra Cassiano Lara de Souza Coelho, por outro lado o álcool é a única droga totalmente metabolizada pelo organismo, por este motivo, quando não se ultrapassa a dose segura, é bem possível que o beber será de baixo risco. Bem ao contrário do que acontece com o fenômeno do Binge Drink, que é quando se faz o uso de todas as doses (21 drinques), ou mais que se tem direito na semana, de uma só vez no final de semana. “De 10% a 12% dos casos registrados no pronto atendimento em finais de semana, são de jovens de 17 anos envolvidos em algum tipo de violência, provocada pelo excesso de bebidas”, diz. Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, especialista no tratamento de dependentes químicos, da Clínica Toufik Rahd, de Rio Preto, muitos jovens se tornam dependentes da bebida e a ela associam outras drogas, porque a permissibilidade de bebidas alcoólicas em festas familiares, e até mesmo em eventos sociais é tamanha, que os próprios pais acabam por contribuir para o surgimento da dependência. “Se os baixos custos das bebidas, a enxurrada de propagandas pró-álcool fossem reduzidos ou proibidos, dificultando a chegada ao consumidor, acredito que teria um feito mais real no intuito de levá-los a repensar o uso abusivo. Mas, para isto é preciso empenho da sociedade em cobrar das autoridades o cumprimento de leis simples, como a que já existe e é descumprida a todo momento, uma vez que muitos ignoram que é proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores”, afirma.

De acordo com o psicólogo Randolfo dos Santos Júnior, coordenador do grupo de etilistas do Hospital de Base, em média eles atendem cerca de 120 pacientes ao ano, que passam pelos mais diversos tipos de tratamentos no hospital, em decorrência de associação de álcool e outras substâncias. E desse número o psicólogo afirma que é raro encontrar quem já não esteja com o cérebro comprometido definitivamente. “Eles chegam encaminhados por profissionais da neuro, gastro, fígado, oncologia e várias outras especialidades, a fim de ver se conseguem recuperar a dignidade muitas vezes perdida por completo”, diz. O psicólogo afirma que o consumo de bebidas alcoólicas quando atinge o grau de dependência não tem cura. Porém, se houver interesse e esforço do dependente e dos familiares, é possível controlar. Seja por meio de medicações, psicoterapia, terapia ocupacional, reeducação dos hábitos de vida e vários outros meios que são aplicados a fim de que a pessoa compreenda que há formas de se lidar com a timidez, por exemplo, sem que seja preciso recorrer ao uso de álcool. “De danças à busca de uma religião, tudo pode contribuir para promover uma melhor auto-estima”, finaliza.

Serviço

- Clínica Toufik Rahd de Rio Preto, fone (17) 2139-2699
- Hospital de Base, fone (17) 3201-5000 ramal 1226
- Crea-HC/USP, fone (11) 3842-0404
- Uniad-HSP/Unifesp, fone (11) 5571-0493

Jovens: álcool afeta tanto a mente quanto a vida sexual

Segundo a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, médica do Hospital Albert Einstein e integrante da equipe da Clínica Arthur Guerra, de São Paulo, em entrevista ao Diário da Região, o consumo de álcool pelos jovens na maioria das vezes funciona como uma fórmula mágica para desfazer as inibições naturais ao adolescentes que estão iniciando a vida sexual. Ela alerta que o uso moderado pode perdurar por anos, mas ao se transformar em vício, terá conseqüências desastrosas. Ainda mais se a pessoa se tornar dependente do álcool.

Diário - Excesso de bebida alcoólica leva à perda de ereção, ou quando se é jovem isto não é problema?
Camila Magalhães Silveira -
A percepção de que o consumo de álcool é capaz de interferir no desejo sexual ocorre tanto pelo efeito do álcool no organismo, quanto pelas expectativas dos indivíduos. O aumento da excitação sexual está relacionado à crescente quantidade de doses ingeridas, sendo que esta relação deixa de existir no momento de intoxicação alcoólica, quando o indivíduo torna-se incapaz de responder a estímulos sexuais.

Diário - O jovem que não tem ereção após uma bebedeira pode se pertubar com isto?
Camila -
O uso do álcool na adolescência compromete todo processo de iniciação e aprendizado sexual. As incertezas e inseguranças emocionais não são superadas ou removidas pelo uso do álcool ou de qualquer outra droga que interfira no bem-estar psico-afetivo. O aprendizado mal feito, as frustrações decorrentes do efeito do álcool sobre a sexualidade, podem ser o início de um itinerário cheio de ciladas na vida sexual futura.

Diário - O efeito do álcool é o mesmo em homens e mulheres?
Camila -
Os estudos mostram que homens e mulheres têm diferentes reações em relação à questão, sendo que os homens ficam de fato mais excitados fisicamente e desinibidos após beber pequenas quantidades de álcool (até 3 doses: uma dose equivale a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho). Vale ressaltar que a melhora da empatia sexual proporcionada pelo álcool beneficia a um número reduzido de pessoas. Em ambos, o uso abusivo do álcool provoca sonolência, redução da percepção erótica e comprometimento da capacidade orgástica. Há mulheres que se tornam vítimas de violência sexual devido à embriaguês.

Diário - Quando o consumo de álcool afeta a vida sexual de forma crônica?
Camila -
O álcool afeta a vida de um indivíduo quando deixa de ser consumido com moderação.

Diário - O que é consumir com moderação?
Camila -
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que, para evitar problemas com o álcool, o consumo aceitável é de até 15 doses/semana para homens e 10 doses/semana para mulheres, ou seja, como a dose equivale a cerca de 350 mililítros de cerveja, 150 de vinho ou 40 de bebida destilada (tipo uísque, vodka e outras), Além disso, é importante saber que cada dose contém de 10 a 15 gramas de etanol.

• Debate saudável
Josimar França - Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

A leitura do “Jornal de Psicologia do Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo”, edição janeiro/março de 2007, nos causou surpresa. O artigo intitulado “Reforma do modelo de atenção em saúde mental sofre pressão, mas é caminho sem volta”, oferece informações equivocadas sobre o posicionamento da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP – e do seu presidente.

Inicialmente consideramos que a manifestação não expressa a opinião da maioria dos psicólogos, com os quais a ABP mantém interlocução extremamente positiva e pautada por sincero e mútuo respeito. Nesse entendimento as partes se esforçam para promover uma rede de atendimento interdisciplinar em saúde mental, condição que os médicos psiquiatras consideram fundamental para o pleno atendimento dos pacientes.

O referido jornal se esforça para convencer os leitores de que a ABP se opõe à reforma do modelo de assistência promovido pelo Ministério da Saúde. Mais uma vez devemos esclarecer que estamos plenamente de acordo com as intenções do Ministério da Saúde e à sua disposição para auxiliar quando consultados. Temos restrições, isso sim, à maneira como o processo está sendo conduzido. Defendemos um atendimento que privilegie a socialização ao invés da internação. Quem pode ser contra isso? Acontece que a realidade é mais complexa do que ser contra ou a favor.

Se a discussão tiver de ser realizada com essa superficialidade, a pergunta é: “Os pacientes devem ficar nos hospitais ou ir para as ruas?”. Nesse caso, os psiquiatras preferem mais do que a hospitalização como parte da responsabilidade do Estado. Jamais abandonados nas ruas! Precisamos, defendemos e reafirmamos nosso posicionamento, a favor da criação de uma rede de serviços integrada e hierarquizada, com todo um processo de acompanhamento e avaliação, com a requalificação dos profissionais, forte investimento financeiro orçamentado para tal fim, entre outras tantas questões.

É evidente para os médicos, em seu dia-a-dia, que o Ministério da Saúde não está sendo capaz de criar alternativas extra-hospitalares no mesmo ritmo em que fecha os leitos. Essa é uma questão que motiva o posicionamento da ABP. No entanto, alguns dos demais envolvidos não se dispõem a fazer as contas e atribuem a posição dos psiquiatras a interesses ocultos. Dessa maneira, tentam embaralhar um assunto sério com ingredientes ideológicos e corporativistas. Com um pouco de boa vontade e bom senso é possível haver entendimento nesse assunto.

Também é recorrente o esforço para associar os psiquiatras aos antigos manicômios e a casos de maus tratos promovidos por maus profissionais, que existem em toda e qualquer categoria. A ABP foi a primeira entidade civil a se manifestar claramente contrária a essas situações, inclusive contra o regime militar. Esse entendimento foi absorvido de tal maneira pelos psiquiatras, que não nos sentimos obrigados a realizar manifestações diárias para que isso seja lembrado. Discordar dos antigos manicômios e maus tratos é, para nós, tão natural quanto respirar. Levantar suspeitas em relação a isso é, no mínimo, desonesto.

A ABP, no entanto, impôs uma responsabilidade maior do que ser apenas contra (ou anti) as questões relacionadas à saúde mental. Nossa missão é ser a favor de um atendimento digno e eficiente para os pacientes. Construir, como se sabe, exige mais esforço do que destruir. Uma discussão que se propõe a oferecer soluções e alternativas não se faz com slogans, mas com inteligência, tolerância e competência técnica. É normal que haja discordâncias no processo e nem tudo é preto ou branco. A natureza complexa do problema exige bom senso e compromisso com os objetivos a serem alcançados.

Por fim, é possível identificar a intenção de abordar um assunto originalmente médico por um ângulo exclusivamente social. Se a atuação do médico psiquiatra for minimizada, ou excluída, na reforma do modelo de assistência em saúde mental, todo o esforço (que reconhecemos árduo) poderá estar fadado ao fracasso. Infelizmente essa conclusão óbvia é tratada como corporativista. Seria o mesmo que alijar os cirurgiões cardiovasculares das cirurgias do coração. Aqui achamos que nem é o caso de reclamar por bom senso. Entendemos que aqueles que se posicionam dessa maneira estão sendo desonestos.

A Associação Brasileira de Psiquiatria continua à disposição para a promoção da reforma em que está empenhada o Ministério da Saúde (apesar de ver equívocos na condução do processo). Pretendemos manter um diálogo construtivo com todas as categorias profissionais envolvidas nesse processo, sem as quais, reforçamos, será impossível construir uma rede de atendimento eficiente e digna para todos os brasileiros.

• Tratamento para dependentes de álcool também deveria ser feito em hospitais, defende coordenador
Fonte: Agência Brasil/DF - 18/02/2007

Atualmente, há capacidade de internações breves em hospitais, mas tratamentos específicos somente em 140 centros especializados em todo o país, conhecidos como Centros de Atenção Psicossocial de à Álcool e Drogas (CAPS AD)

Brasília - O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, defende que o tratamento de álcool e drogas do Brasil precisa ser ampliado, para que o atendimento de usuários seja feito também em ambulatórios e hospitais públicos. Atualmente, há capacidade de internações breves em hospitais, mas tratamentos específicos somente em 140 centros especializados em todo o país, conhecidos como Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPS AD).

Delgado acredita que os CAPS AD devem ser melhorados, mas o tratamento também deve ser feito em hospitais. “Sem dúvida os CAPS vão ser ampliados, mas nós temos que também ampliar os ambulatórios e precisamos ampliar a capacidade dos hospitais gerais para atender situações mais graves relacionadas com o consumo de drogas. Com isso, resolveríamos parte dos problemas de internação”.
O presidente do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Elisaldo Carlini, afirma que o tratamento do vício das drogas é feito de acordo com cada caso, mas ele concorda que o atendimento deveria ser feito nos ambulatórios para evitar internações desnecessárias.

Delgado disse que apesar da necessidade de ampliação da rede de tratamento aos usuários de drogas, muitas coisas já foram feitas no atendimento público brasileiro. “Isso era responsabilidade das comunidades terapêuticas filantrópicas. Nos últimos cinco anos, o governo está assumindo a função de criar uma rede de atendimento de álcool e drogas. Mas é preciso ampliar essa rede e esse trabalho ainda precisa ser intensificado”, explicou.

• XIX CONGRESSO ABEAD
Álcool e Drogas - Cuidando dos Jovens

5 a 8 de setembro de 2007
Hotel Glória – Rio de Janeiro

Maiores informações: Método Eventos
Tels: (21) 25485141  fax (21) 25457863
email: abead2007@abead2007.com.br

http://www.abead2007.com.br

• Premiação para Jovens Estudantes e Acadêmicos do IISAJE

(Sociedade Internacional dos Editores do Addiction Journal) e WHO (Organização Mundial de Saúde)

International Society of Addiction Journal Editors (ISAJE)
World Health Organization (WHO)

ISAJE/WHO YOUNG SCHOLARS AWARD

Este prêmio foi concebido para oferecer um  reconhecimento aos colaboradores jovens que se dedicam  à ciência da dependência química; e que residem em países em desenvolvimento. Uma oportunidade para promover o envolvimento de jovens pesquisadores e estudantes nesta área de atuação.

Os candidatos devem ter menos de 35 anos de idade, trabalharem no meio acadêmico ou de pesquisa em países de baixa ou media renda e devem ser o autor principal do artigo a ser submetido para a premiação.

A premiação será para o melhor artigo publicado no ano anterior (2006) por um jovem acadêmico de um país em desenvolvimento, sobre qualquer tópico relacionado à dependência química.

O candidato vitorioso receberá um certificado e apoio financeiro para atender uma reunião, um simpósio internacional científico ou clínico de sua escolha, em consultoria com a ISAJE.

A data final para submeter os artigos é em 30 Junho de 2007.

Maiores detalhes e informações, incluindo os procedimentos de inscrição poderão ser obtidos no site www.isaje.net ou  diretamente com:

Mrs Susan Savva
National Addiction Centre, 4 Windsor Walk,
London SE5 8AF, Grã-Bretanha,
(susan@addictionjournal.org)

Acesse regularmente nosso site para outras informações relacionadas à campanha.

Participe!
Exija dos senadores do seu Estado o fim da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão e na mídia em geral!

acca.coordenacao@uniad.org.br


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