Brasil pretende adotar acordo mundial para combater consumo de álcool
O Brasil quer utilizar o acordo mundial, que será votado em janeiro pela OMS, para combater o consumo de álcool e a violência decorrente dele. A convenção internacional não proporá que as pessoas deixem de beber, mas que consumam sem expor-se a riscos e nem causar danos à sociedade. O documento deve tratar de propaganda, acesso de menores à bebida, preço e sistema de atenção integral aos dependentes.
Das pessoas mortas no Brasil, o número de vítimas de eventos diretamente ligados ao consumo de álcool é de 12%, muito superior à média mundial de 3,7% no mundo, de acordo o relatório Saúde Brasil, do Ministério da Saúde. E, desse porcentual de 12%, grande parte está ligada ao consumo de álcool.
Estudo da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito, realizado em 2005, apontava que 96% dos motoristas tinham bebido mais do que a lei permite e 43% consumiram quantidade três vezes maior do que a permitida. Já o Sistema de Vigilância de Violência e Acidentes do MS mostrou que 37% das vítimas (44% entre os homens) de agressões estavam alcoolizadas.
Apesar desses números, isso não quer dizer que o brasileiro beba mais que qualquer outro povo. O consumo médio anual de bebidas alcoólicas no Brasil é de 12 litros por pessoa, índice menor que o dos ingleses, franceses e alemães, que bebem 15 litros. Mas o fator de risco no Brasil, calculado pela OMS, é maior. Isso porque o Brasil está no grupo dos bebedores mais perigosos (que dirigem depois de beber, por exemplo), ao lado dos russos, afegãos, bolivianos, peruanos, mexicanos, sul-africanos e etíopes. Já os ingleses, franceses e alemãos integram o grupo dos bebedores mais pacíficos, junto com os japoneses e os australianos.
A questão cultural é a resposta para esse comportamento, já que japoneses e alemães não costumam dirigir depois de beber. Numa pesquisa feita com jovens universitários do Rio de Janeiro e de São Paulo, 31% responderam que dirigem mesmo bebendo pouco. Já 6% disseram que dirigem mesmo bebendo muito e 78% relataram que, na roda de amigos, com frequência, alguém dirige depois de beber.
Fonte: Brasília Confidencial |