Homicídios na capital paulista apontam ligação entre consumo de álcool e violência
A violência e o consumo excessivo de álcool caminham juntos, de acordo com pesquisa do Departamento de Medicina Legal da Universidade de São Paulo (USP). Análise feita com todos os casos de homicídios que ocorreram na capital paulista em 2005 revela que, em média, um em cada seis menores de 18 anos assassinados havia bebido no dia do crime. Para os especialistas, a bebida alcoólica, que não deveria fazer parte da rotina adolescente, pode ter favorecido a morte violenta.
O estudo tomou como base 2.042 corpos que deram entrada no Instituto Médico-Legal (IML) da capital em 2005. Independente da idade, a presença de álcool nos mortos chegou a 43%, o que confirmaria a alcoolemia como um dos combustíveis da violência. Já na faixa etária entre 0 e 18 anos, o índice de positividade foi de 17%.
Mesmo com a redução de assassinatos desde a coleta dos dados até os dias atuais, o perfil das vítimas continua sendo jovem, negra e moradora da periferia. Já o consumo do primeiro gole de álcool passou de 15 para 12 anos. Em cerca de 80% dos casos, crianças e adolescentes conseguiram comprar bebida na primeira tentativa em bares, de acordo com levantamento da Unifesp.
Para Gabriel Andreuccetti, autor da pesquisa da USP, esse contato precoce com o consumo nocivo de álcool facilita a violência, interferindo no comportamento agressivo, diminuindo os reflexos e deixando as pessoas mais vulneráveis. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo analisou os assassinatos registrados e, em 73,9% dos casos, os assassinados conheciam os autores dos crimes, residiam em local próximo ao deles e frequentavam os mesmos lugares.
Fonte: O Estado de S. Paulo |