Nova teoria propõe que dopamina pode não ser responsável pela dependência química
Pesquisas recentes indicam que dopamina pode não ter tanto a ver com o processo de dependência química, de acordo Jen-Pol Tassin, pesquisador do Quai St. Bernard, na França. Ele recebeu prêmio do European College of Neuropsychopharmacology por seus mais recentes trabalhos que propõe uma nova teoria para explicar o vício e esteve no Brasil participando do 6° Congresso Brasileiro de Cérebro Comportamento e Emoções, realizado de 10 a 12 de junho, em Gramado (RS). Tassin comprovou que o consumo de drogas provoca uma dessincronia entre um neurônio específico receptor de noradrenalina e um outro, de serotonina. “No cérebro normal eles funcionam juntos, um regulando o outro. As drogas provocam o desacoplamento deste sistema, o que gera a dependência”, explica o neurocientista.
Desta forma, ele acredita que a nicotina sozinha não vicia, mas sim sua combinação com tabaco, que contém substâncias que criam dependência. Em seus testes com roedores, a nicotina sozinha não produziu dependência, permitindo que ele patenteasse um novo tratamento de combate ao tabagismo. Para Tassin, a droga para substituir o cigarro deve agir na recepção de um tipo de serotonina (5HT-2A), que provoca o vício.
Pesquisa anteriores, como a do bioquímico e professor da PUCRS, Pedro do Prado Lima, de 2004, já apontavam que pequenas alterações genéticas (que todos temos) seriam responsáveis por diminuir em até 20% a expressão gênica dos receptores de neurotransmissores no cérebro. Com isso, os neurônios seriam mais resistentes à serotonina, noradrenalina e dopamina e, por consequência, mais suscetíveis à dependência.
“Na população, 25% possuem menos receptores, 25% têm mais e 50% estão na média. Dos que têm menos, a chance de parar de fumar é metade. Já entre os que possuem mais receptores, a chance de largar o vício é de 83%”, diz o pesquisador brasileiro. Com isso, quanto mais receptores se tem, maior a chance de largar o vício. Além disso, fatores já conhecidos, como estresse, meio ambiente e disponibilidade da droga também facilitam a dependência.
Fonte: Uol Ciência e Saúde |