Vício em crack está presente também em pessoas com mais de 50 anos
Pessoas com mais de 50 anos de idade também estão se viciando em crack. O uso está ligado ao consumo de álcool e outras drogas e ainda à vida dos moradores de rua. O Centro de Atenção Psicossocial de Curitiba (Caps) recebeu 24 pacientes, de idade entre 51 e 57 anos, e três, entre 58 e 60 anos, nessas condições desde 2009. De acordo com a coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, pacientes mais velhos não costumavam aparecer até 2008.
Os casos indicam um fenômeno recente que vem acontecendo nos Estados Unidos, onde pesquisadores verificaram uma migração do álcool para o uso de drogas ilícitas. De acordo com o estudo do epidemiologista norte-americano James Anthony, isso pode estar relacionado a um efeito cascata do uso da maconha, que ainda é considerada uma porta de entrada para outras drogas. Para ele, autor de uma teoria da progressão do uso de entorpecentes, quem usa álcool tem três vezes mais chances de consumir maconha. E quem usa essa troca, por sua vez, conta com 11 vezes mais possibilidades de passar para a cocaína, e assim por diante. Para o crack, não há um cálculo, mas espera-se progressão semelhante.
No Brasil, o psiquiatra Philip Ribeiro, do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o uso da maconha, que antes era feito aos 16 anos, agora está aparecendo aos 24 ou 25 anos, o que levaria também à cocaína e ao crack em idade mais avançada. Segundo ele, em São Paulo, o número de usuários de crack mais velhos, com mais de 65 anos, também não é significativo, mas eles podem ser encontrados em locais como a Cracolândia, no centro da capital paulista.
O consumo do crack na faixa dos 50 ou 60 anos é ainda mais perigoso em função dos problemas típicos da idade, como os cardiovasculares, que potencializam os efeitos da pedra.
Se considerados outros problemas adquiridos com o consumo de outras drogas ao longo da vida, os riscos são ainda maiores. Enquanto no jovem a causa da morte está ligada ao tráfico, no idoso, o conjunto de outras doenças, como hipertensão, pode ter consequências fulminantes, como derrame, crise convulsiva ou quadro demencial.
Fonte: Gazeta do Povo
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