Caos: 5% dos adolescentes de 12 a 17 anos
Que adolescentes vêm ingerindo bebida alcoólica cada vez
mais cedo não chega a surpreender aqueles que freqüentam
bares, festas e shoppings de Criciúma. No entanto, uma
pesquisa anunciada pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad)
traz dados estarrecedores. Atualmente, na região Sul, 5,2% dos
adolescentes com idade entre 12 e 17 anos são dependentes de
álcool; na faixa entre 18 e 24 anos, o percentual sobe pra
15,5%, ou seja, são alcoólatras. “São doentes que vinvenciam
todos os problemas decorrentes do vício”, declara o presidente
do Comad, Manoel Rozeng. Vale lembrar que, no Brasil, são
gastos anualmente mais de R$ 60 bilhões em função de problemas
relacionados ao álcool. Em Criciúma, poucas são as clínicas
públicas para tratamento de dependentes e inexistem locais
adequados para tratamento de mulheres e adolescentes. “O
problema começa nos colégios. Apesar de a lei municipal 4.360
proibir comércio, propaganda, distribuição gratuita e uso de
bebida alcoólica e produtos fumígeros, derivados ou não do
tabaco, inclusive em eventos associados a escola, isso vem
ocorrendo”, diz Roseng. Ele afirma que os maiores opositores à
norma são os próprios pais e professores. “As mesas de
professores, durante formaturas, são as que mais possuem
cervejas”, dispara. O presidente do Comad afirma que, durante
fiscalizações, cinco escolas foram autuadas e algumas
notificadas durante os festejos. “Estamos pensando na
alteração da lei para casos de reincidência”. Rozeng afirma
que muitas vezes o primeiro contato de crianças e adolescentes
com o álcool ocorre no próprio colégio. Ele lembra da venda de
quentão, mistura de vinho, cachaça, canela, cravo, açúcar
entre outros ingredientes, durante as festas juninas nos
colégios da região. “Muitos não são coerentes com o que pregam
aos alunos. Quando há necessidade de angariar dinheiro, são
realizadas festas e aliada a isso está a bebida”. Segundo o
presidente, normalmente, os formandos têm até 17 anos, ou
seja, não deveriam ingerir bebida alcoólica em qualquer tipo
de evento e, obedecendo à lei municipal de proibição em
eventos associados a escola, se poderia diminuir os casos de
violência. Questionado sobre a morte de um jovem dentro de um
clube da cidade durante uma formatura, ele comenta: “A droga
potencializa a tendência da pessoa, ou seja, se ela é
violenta, poderá tomar uma atitude que, consciente,
refletiria. Concluindo, ele declarou: “Não tenho nada contra o
diretor ou o legislador, mas não dá para ser negligente
facilitando esse tipo de coisa.” Consumo de lança-perfume
na classe média assusta Outro problema que vem sendo
presenciado, além do consumo de drogas lícitas, é o uso
desenfreado entre adolescentes da droga conhecida por
lança-perfume, principalmente entre as classes média e alta.
“Enquanto na periferia o consumo é de crack, eles consomem
cocaína, ecstasy e lança-perfume”, diz. Um dos flagrantes
presenciados durante uma festa de colégios particulares foi um
aluno desmaiado após o uso da droga. “Ele poderia ter uma
parada respiratória. Além do risco de morte. Nesses casos, o
estudante poderá acabar na delegacia para responder pelo
delito e o responsável pela casa noturna, bar ou clube, sofrer
todas as medidas previstas na lei, como o fechamento do
estabelecimento.” Quem fiscaliza, além da polícia e do
Conselho Tutelar, são voluntários do Conselho Municipal
Antidrogas e Vigilância Sanitária, mas, segundo Rozeng, o
maior problema é a falta de funcionários. “A responsabilidade
é de todos. Não podemos fechar os olhos quando vemos um
adolescente bebendo ou fazendo uso de entorpecentes. O local
deve ser denunciado. Talvez não seja tarde para salvá-lo”,
finaliza o presidente.
DANIELA NIERO - Jornal da Manhã - Criciúma –
29/12/2003
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